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A IDADE DA AMEIXA

POESIA NA MAIS PURA ESSÊNCIA TEATRAL

“O tempo presente e o tempo passado
Estão ambos talvez presentes no tempo futuro,
E o tempo futuro contido no tempo passado.
Se todo o tempo é eternamente presente
Todo o tempo é irredimível.
O que podia ter sido é uma abstração
Permanecendo possibilidade perpétua
Apenas num mundo de especulação.
O que podia ter sido e o que foi
Tendem para um só fim, que é sempre presente.
Ecoam passos na memória
Ao longo do corredor que não seguimos
“Em direção à porta que nunca abrimos…”

Quatro Quartetos
T.S. Elliot

Um casarão antigo. No quintal, uma grande ameixeira que serve de fio condutor para as mulheres de uma mesma família: uma metáfora do tempo. Várias gerações dividem não só o espaço, mas também seus medos, frustrações, alegrias e anseios. Ao longo da peça as histórias vão sendo reveladas, mostrando o tempo como uma figura que ordena as emoções e sentimentos destas mulheres. Um espetáculo poético, com um texto envolvente sobre o universo feminino e suas contradições. Essa é a história da peça A Idade da Ameixa, escrita pelo premiado autor argentino Aristides Vargas e que traz no elenco os talentosos atores mineiros Ílvio Amaral e Maurício Canguçu (ambos do sucesso “Acredite, Um Espírito Baixou em Mim”), que interpretam personagens com características bem peculiares.

O encontro

A idéia de montar a Idade da Ameixa surgiu há dois anos, quando Ílvio Amaral e Maurício Canguçu começaram a procurar um diretor que se envolvesse na veia poética do dramaturgo Aristides Vargas. E foi no Rio de Janeiro que encontraram a solução para a realização do projeto. Quando os atores foram assistir à peça “Sem Vergonhas – Uma Aventura na Lapa”, inspirada no filme “Ou Tudo Ou Nada”, ficaram impressionados com a direção do espetáculo e correram atrás do diretor, ator e artista plástico Guilherme Leme.

Guilherme se apaixonou pelo texto e decidiu montar o espetáculo em BH. Segundo Maurício, o processo de produção da peça fluiu com muita espontaneidade. “Eu já trabalhei com vários diretores competentes, em que o resultado foi muito positivo, mas com o Guilherme foi diferente. O processo de direção dele é surpreendente. Por exemplo, ele não faz marcações convencionais: durante a cena, nos conduz e, quando percebemos, a marcação já foi feita. Acho que o fato dele ser ator ajuda, mas a afinidade entre a gente foi o mais importante. Nós três nos tornamos grandes amigos e já estamos com idéias novas para outros projetos”, elogia.

O diretor

Com 20 anos de carreira profissional, Guilherme Leme já participou de várias novelas, como “Vamp”, “Que Rei Sou Eu?” e “Bebê a Bordo”. No teatro atuou e produziu mais de vinte espetáculos, com destaque para “Os Olhos Verdes do Ciúme”, “Decadência”, “Eduardo II” e “Felizes da Vida”. No cinema participou dos filmes “Benjamin”, “Erotique” e “Anjos da Noite” (prêmio de ator revelação em Gramado). Como artista plástico já realizou seis exposições no Brasil e participou de duas coletivas no exterior. Recentemente inaugurou um escritório de produção teatral com Sílvia Rezende, em que produziu e dirigiu o espetáculo “Sem Vergonhas Uma – Aventura na Lapa” e “Aurora o Crepúsculo dos Gêmeos”, sendo que neste último também atuou.

Os atores

Ílvio e Maurício trabalham juntos há 16 anos. A parceria sempre rendeu bons frutos, como “Acredite, Um Espírito Baixou em Mim”, que estreou em BH em 1998. A peça ficou em cartaz durante seis anos, com casa lotada e reconhecimento da crítica e ainda neste ano poderá ser vista na telona. Outra montagem recente da dupla é a peça “A Saga da Senhora Café”, que teve direção de Marília Pêra. Ílvio e Maurício também fazem sucesso na TV com um quadro fixo no humorístico “A Praça é Nossa” (SBT). A peça A Idade da Ameixa é um novo desafio para a dupla, que sempre esteve envolvida em comédias e agora dão vida a um texto poético e melancólico, que valoriza o teatro puro e sem grandes artifícios, em que o mais importante é a interpretação e o modo como as personagens são conduzidas.

O autor

O dramaturgo, ator e diretor Aristides Vargas nasceu em Córdoba (Argentina) e estudou teatro na Universidade de Cuyo. Em 1975 teve que se exilar no Equador devido ao golpe militar, fato que marcaria toda a sua obra dramática. Já dirigiu importantes grupos e companhias latino-americanas, entre elas a Companhia Nacional de Teatro da Costa Rica, Ire de Porto Rico e os grupos Justo Rufino Garay da Nicarágua (que recentemente se apresentou no FIT BH com o espetáculo “La Casa de Rigoberta Mira Al Sur”) e Taller del Sótano do México. É fundador do Mala Yerba, um dos grupos teatrais mais importantes da América Latina que tem um trabalho investigativo e autoral no Equador. No teatro Aristides escreveu peças premiadas, como “Jardín de pulpos”, “Pluma”, “Donde el viento hace buñuelos” e “Nuestra señora de las nubes”. A sua dramaturgia gira em torno de temas como a memória e a marginalidade, sempre com elementos poéticos, que misturam humor e certa melancolia.

As Ameixas

Com diálogos poéticos e citações com pitadas de humor, a Idade da Ameixa revela a personalidade de nove mulheres de gerações distintas. Um pé de ameixa na casa onde a avó produz um vinho feito da fruta acaba se transformando no elemento central para as definições da vida delas: a morte se relaciona com as ameixas apodrecidas e a juventude com as maduras, que aos poucos perdem a sua forma perfeita. “Que idade deve ter uma ameixa para ser vinho ou vinagre?”

O texto inicial é narrado pelo diretor Guilherme Leme. O cenário, criado pelo conceituado artista plástico Fernando Velloso, foi feito de madeira de construção e é cercado por um espelho d água. O figurino foi trabalhado em tecidos rústicos por Teresa Bruzzi e Alexandre Rousset. Pedro Pederneiras, do Grupo Corpo, assina a iluminação. Orlando Orube, assistente de direção, traduziu o texto de Aristides Vargas. O músico mineiro Ladstom do Nascimento criou a trilha sonora original, que passeia entre a música latina e a regional brasileira. A preparação corporal foi elaborada por Dudude Herrmann e Heloisa Domingues.

A Idade da Ameixa é um espetáculo intimista, para um público que deseja ser surpreendido com um texto que traz uma discussão poética sobre o tempo.

“Porque o tempo é uma invenção da morte:
Não o conhece a vida – a verdadeira –
Em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.”

Mário Quintana

FICHA TÉCNICA
Texto – Arístides Vargas
Direção – Guilherme Leme
Elenco – Ílvio Amaral e Maurício Canguçu
Tradução e Assistente de direção – Orlando Orube
Figurino – Teresa Bruzzi e Alexandre Rousset
Iluminação – Pedro Pederneiras
Cenário – Fernando Velloso
Trilha Sonora Original – Ladstom do Nascimento
Produtor Executivo – Lúcio Botelho
Preparação Corporal – Dudude Herrmann e Heloisa Domingues
Assistente de direção – Freddy Mozart

Galeria de fotos

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